sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Abre-se a porta encostada

Há não muito tempo guardava um diário onde escrevia todos ou quase todos os dias. Agora guardo-o, mas não o escrevo: leio-o, quando me apetece lembrar de como era, do que fazia e de como via o meu mundo. 
Agora tenho sempre comigo uma folha e uma caneta onde imortalizo o que sinto num momento, as imagens que me surgem diante dos olhos, ou o que poderia ser real.
Por que não guardar aqui, num local que o tempo não gasta e que a humidade não estraga, a outra pessoa que posso ser? O outro eu que consigo fazer surgir sem esforço, sem querer, apenas porque tem vontade de vir à superfície.

Bem-vindos nós, que abrimos esta porta pela primeira vez e, prevejo, vamos ser bons amigos. Deixo a chave em cima da mesa, para usarmos sempre que quisermos.

2 comentários:

Panda disse...

Olá, obrigada pela visita ao meu blog.
Estive a ler o texto acima, está bonito :) eu sonho ser escritora, tenho estudos para isso, qualquer dia tenho tb a a coragem.
Eu guardo os meus diários da adolescência, já os quis queimar muitas vezes. Tem recordações boas mas também tem algumas medonhas, estão escondidos e tenho receio que caiam nas mãos erradas ;)

Sylvie de Valaine disse...

Mesmo medo aqui deste lado, Panda!
Tudo naqueles diários representa uma etapa, ou várias, que ou me envergonha, ou me deixa nostálgica, ou me faz sorrir com orgulho na pessoa que me fui tornando :)

Obrigada pela tua visita também e pelo comentário!