Dizem que não devemos voltar aos sítios onde fomos felizes, sob o
risco de já nada ser igual: as imagens, as pessoas, as sensações, os
pensamentos e as emoções.
Lembro-me de pensar assim quando arrisquei voltar a Paris um ano após lá
ter vivido. Tinha-me apaixonado a sério pela primeira vez, tinha feito fortes
amizades, tinha vivido momentos inesquecíveis. Tinha deixado na cidade uma
parte significativa de mim e tinha deixado que a Paris de 2007/2008 passasse a
ser parte integrante de mim.
Nada era como dantes, de facto. Tinham-se passado vários meses e
aquela Paris já não era a mesma de 2007/2008, tal como eu. A minha rotina
estava de volta ao Porto, a maioria das pessoas que lá conhecera tinha
regressado a casa e as que por lá permaneciam tinham-se descentrado do nosso
ponto de encontro. Desta vez estava lá de férias, temporariamente. Já não era
aquele o meu dia-a-dia nem a minha casa.
Mas eu sabia disso e, ainda que não tenha sido possível escapar à
nostalgia, aproveitei a minha estadia numa perspetiva diferente: a de alguém
que já lá tinha sido feliz.
Talvez a expressão correta seja que não devemos voltar aos sítios onde
fomos felizes com expectativas elevadas, sob o risco de saírem defraudadas e
sermos incapazes de desfrutar desse regresso.
Ontem, sem ter feito planos para tal, fui novamente a um sítio onde
fui muito feliz, que me ocupou a maior parte dos dias durante um relativamente
longo período de tempo.
À entrada receei sentir um murro no estômago ou palpitações nervosas
na viagem de retrocesso no tempo. Todavia, uma vez que não tinha podido
dedicar-me sequer a criar expectativas, tratou-se apenas de fazer um mesmo
caminho, ver algumas das mesmas caras, repetir um pouco de uma rotina há muito
deixada para trás e que me trouxe ótimas recordações e sensações que tinham
sido já postas de lado.
Devemos voltar aos sítios onde fomos felizes, sim. São esses os nossos
refúgios seguros, nem que seja apenas no nosso imaginário.
Sem comentários:
Enviar um comentário